Mercado 9 min de leitura

Tendencias da energia solar para 2028: o que esperar

Precos de modulos, baterias, regulamentacao e novas tecnologias. Previsoes baseadas em dados reais.

Por Redação Editorial CustoSolar

Panorama do mercado solar brasileiro em 2026: a base para 2028

O Brasil atingiu 50 GW de potência solar instalada em 2026, consolidando-se como o quinto maior mercado do mundo. A geração distribuída (até 5 MW) responde por mais de 55% do total, com mais de 3 milhões de sistemas instalados em residências, comércios e indústrias. O Brasil hoje é o país que mais cresce em energia solar per capita entre os grandes mercados globais.

Essa expansão não foi acidente: foi impulsionada pela queda de preços dos equipamentos, pelo amadurecimento do crédito para energia solar (com aprovação em 24h por fintechs como Solfacil e 77Sol) e pela tarifa de energia crescendo acima da inflação, encurtando o payback a cada ano.

Para 2028, as tendências são ainda mais favoráveis. Este artigo apresenta as previsões mais sólidas com base em dados disponíveis até 2026.

O que muda nos preços de equipamentos até 2028?

Módulos fotovoltaicos

A cadeia de produção global de módulos, dominada por fabricantes chineses como Jinko, LONGi, JA Solar, Canadian Solar e Trina, opera com capacidade de produção muito acima da demanda atual. Isso garante pressão contínua de queda de preços.

  • 2026: R$ 1,30–1,80/Wp (módulos TOPCon tier-1)
  • 2027: R$ 1,10–1,50/Wp (estimativa)
  • 2028: R$ 0,95–1,30/Wp (projeção BloombergNEF)

Para um sistema residencial de 5 kWp, os módulos de 9 painéis de 555 W que em 2026 custam R$ 7.000–9.000 devem estar em R$ 5.000–6.500 em 2028. Uma queda de 20–30% em apenas 2 anos.

Inversores string e híbridos

  • 2026: R$ 0,50–0,80/Wp (inversor string); R$ 0,80–1,20/Wp (híbrido)
  • 2028: R$ 0,40–0,65/Wp (string); R$ 0,65–1,00/Wp (híbrido)

A queda nos inversores é mais moderada porque envolve mais componentes eletrônicos complexos, mas a concorrência crescente entre marcas asiáticas garante reduções contínuas.

Baterias LFP (o destaque de 2028)

  • 2025: R$ 1.600/kWh
  • 2026: R$ 1.200/kWh
  • 2027: R$ 900–1.000/kWh
  • 2028: R$ 700–850/kWh (projeção)

Em 2028, uma bateria de 10 kWh deve custar R$ 7.000–8.500 instalada — contra R$ 12.000–15.000 em 2026. Isso transforma o sistema híbrido de uma opção premium em uma escolha economicamente racional para a maioria dos consumidores com conta de energia acima de R$ 500/mês.

Custo total instalado por kWp (residencial)

AnoCusto por kWp (estimativa)
2024R$ 5.500–6.500
2026R$ 4.500–5.200
2027R$ 4.000–4.700
2028R$ 3.500–4.200

Um sistema de 5 kWp que custava R$ 30.000 em 2022 deve custar R$ 17.500–21.000 em 2028 — uma queda de mais de 35% em 6 anos. Com a tarifa de energia subindo 8–10% ao ano no mesmo período, o payback de 2028 será de 3,5–5 anos para as regiões com maior tarifa.

Quais tendências tecnológicas chegam ao mercado em 2028?

Módulos de alta potência: 580–650 W como padrão

Em 2024, módulos de 555 W eram novidade premium. Em 2026, são padrão tier-1. Em 2028, a expectativa é que módulos de 580–620 W sejam o padrão de mercado, com os modelos de ponta chegando a 650 W (TOPCon de alta eficiência).

Isso reduz o número de módulos necessários para qualquer sistema — menos pontos de fixação no telhado, menos metros de cabo, menos tempo de instalação. Para um sistema de 5 kWp: 9 módulos de 555 W hoje vs. 8 módulos de 625 W em 2028, ocupando a mesma área.

Baterias residenciais em escala

Com o custo abaixo de R$ 800/kWh em 2028, a bateria residencial deixa de ser exclusividade de entusiastas e começa a fazer sentido financeiro para a maioria dos consumidores com sistema solar. A projeção da ABSOLAR indica que 30–40% dos novos sistemas solares instalados em 2028 incluirão bateria — contra menos de 10% em 2026.

O banco de baterias típico para residência (10–15 kWh) permite:

  • Armazenar o excedente solar para uso à noite
  • Evitar o consumo da rede no horário de ponta (tarifa branca)
  • Proteção contra quedas de energia (funcionar como no-break)
  • Potencialmente participar do mercado de resposta à demanda (com abertura do mercado livre)

Agrovoltaico: solar e agricultura simultâneos

O agrovoltaico — que usa a mesma área para geração solar e cultivo agrícola — é uma das tendências mais promissoras para o Brasil, que tem a maior área agricultável do mundo. Em 2028, os primeiros projetos comerciais em escala devem estar operando no Brasil.

O conceito é simples: painéis instalados em altura suficiente para permitir o plantio e o trânsito de máquinas agrícolas abaixo. Estudos internacionais mostram que certas culturas (lavanda, morango, alho, pastagens) se beneficiam da sombra parcial dos painéis, especialmente em regiões quentes — aumentando a produtividade por hectare em 30–70% em comparação com o uso exclusivo como pastagem.

Para o produtor rural brasileiro, o agrovoltaico oferece uma receita adicional de R$ 150.000–250.000/ha/ano com a venda de energia, sem perder a produção agrícola. Os primeiros projetos experimentais em Minas Gerais, Goiás e Bahia devem resultar em publicações e casos de referência que fundamentarão a expansão do modelo.

Carport solar: alternativa ao telhado em condomínios

A instalação de cobertura solar em estacionamentos de condomínios, shoppings e indústrias deve acelerar em 2028. O carport solar resolve um problema crescente: a maioria dos apartamentos não tem telhado disponível para solar individual, mas o condomínio tem estacionamento descoberto.

Um carport solar gera energia para as áreas comuns do condomínio (iluminação, elevadores, portaria) e reduz significativamente o custo do condomínio — repassado em menor taxa para os moradores. Em condomínios com estacionamento para 100 carros, um carport de 150 kWp pode reduzir a conta do condomínio em R$ 15.000–20.000/mês.

Abertura do mercado livre: a maior mudança regulatória de 2028

A ANEEL prevê a abertura gradual do Ambiente de Contratação Livre (ACL) para consumidores de baixa tensão a partir de 2027–2028. Em 2028, consumidores com demanda acima de 75 kW já deverão poder escolher seu fornecedor de energia.

Para quem tem solar, isso abre a possibilidade de vender o excedente diretamente no mercado — sem depender da tarifa de compensação da distribuidora. Um sistema solar de 100 kWp com excedente regular pode gerar receita adicional de R$ 3.000–5.000/mês com venda de energia no mercado livre.

A abertura total para residências (consumidores de baixa tensão abaixo de 75 kW) deve ocorrer gradualmente até 2030, conforme o cronograma da ANEEL disponível em www.aneel.gov.br.

Como o cenário de 2028 se compara ao de 2026?

Indicador20262028 (previsão)Variação
Custo/kWp instaladoR$ 4.750R$ 3.850-19%
Custo bateria LFP/kWhR$ 1.200R$ 780-35%
Payback médio (tarifa R$ 0,90)5,0 anos4,0 anos-20%
% sistemas novos com bateria< 10%30–40%+3–4x
Capacidade instalada no Brasil50 GW75–80 GW+50–60%

O cenário de 2028 é de expansão acelerada, equipamentos mais baratos e melhores, e payback mais curto. Quem esperar até 2028 para instalar pagará menos — mas perderá 2 anos de economia na conta de luz.

Exemplo com números: Uma família em Belo Horizonte com conta de R$ 700/mês e sistema de 6 kWp:

  • Instalando em 2026: investe ~R$ 28.000, economiza R$ 620/mês, payback em 3,8 anos. Em 2028, já recuperou o investimento e acumulou R$ 14.880 de economia
  • Esperando até 2028: investe ~R$ 23.000 (20% mais barato), mas perde R$ 14.880 de economia ao longo dos 2 anos que esperou

Instalar em 2026 ainda é a decisão financeiramente correta para a maioria.

Segundo a ABSOLAR, o Brasil tem potencial para atender 30–40% da demanda total de eletricidade com energia solar até 2035, colocando o país no seleto grupo de grandes economias com alta participação solar na matriz elétrica. Acompanhe os dados mais recentes em www.absolar.org.br.

Fontes e referências