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Resultados do leilao de energia solar A-5 2028

O leilao A-5 contratou 3 GW de solar a precos recordes. Veja os destaques.

Por Redação Editorial CustoSolar

Resultados do leilao de energia solar A-5 2028

O leilão A-5 de 2028 contratou 3,2 GW de energia solar — recorde para um único leilão no Brasil. O preço médio foi de R$ 175/MWh, queda de 12% em relação ao A-5 de 2027. O resultado consolida o país como um dos mercados solares mais competitivos do mundo.

Os projetos vencedores estão concentrados na Bahia (1,4 GW), Minas Gerais (0,8 GW) e Piauí (0,6 GW). Todos utilizam tracker de eixo único e módulos bifaciais TOPCon, configuração que se tornou padrão nos grandes projetos de geração centralizada.

O destaque foi a AES Brasil, que arrematou 500 MW a R$ 168/MWh — o menor preço já registrado em leilão de energia solar no Brasil. O LCOE implícito é de R$ 130/MWh, metade da tarifa residencial média cobrada pelas distribuidoras.

A entrega dos projetos está prevista para 2031. O contrato PPA de 20 anos garante receita previsível para investidores e sinaliza solidez no ambiente de negócios para energias renováveis no Brasil.

O que esse resultado significa para o mercado de energia solar no Brasil?

O A-5 de 2028 é mais do que um recorde numérico. Ele representa uma inflexão na matriz elétrica brasileira e tem impacto direto em quem está pensando em instalar energia solar residencial ou comercial.

Preço recorde e suas implicações

O preço de R$ 168/MWh (equivalente a R$ 0,168/kWh) para projetos de grande escala está bem abaixo do custo de geração de qualquer outra fonte no Brasil. Para referência:

  • Tarifa residencial média (Brasil, 2028): R$ 0,85-0,95/kWh
  • Energia solar em grandes leilões: R$ 0,168/kWh
  • Termelétrica a gás (referência): R$ 0,35-0,45/kWh

A diferença é brutal. O que isso significa na prática? Que a energia solar continuará pressionando para baixo o custo de expansão da capacidade elétrica no Brasil. E, indiretamente, que os módulos e equipamentos fotovoltaicos continuarão barateando ao longo dos próximos anos, beneficiando também o consumidor final que instala no telhado.

Tecnologia predominante: bifacial TOPCon com tracker

Todos os projetos do A-5 2028 utilizam módulos bifaciais TOPCon com tracker de eixo único — a mesma tecnologia que está chegando ao mercado residencial. Os módulos TOPCon têm degradação de apenas 0,35% ao ano (vs. 0,55% do PERC) e ganho bifacial de 10-18% em instalações ground-mounted.

O tracker de eixo único aumenta a geração em 20-30% em relação a instalações fixas. Embora não faça sentido para residências (custo proibitivo e necessidade de espaço), demonstra que a indústria continua inovando e empurrando os limites de eficiência.

Quais estados ganharam mais projetos e por quê?

A distribuição geográfica dos projetos do A-5 2028 não é aleatória. Reflete a irradiação solar e a infraestrutura de transmissão disponível.

Bahia: líder com 1,4 GW

A Bahia concentra o maior volume por uma combinação de fatores:

  • Irradiação horizontal global (GHI): 5,8-6,2 kWh/m²/dia no semiárido baiano
  • Infraestrutura: Subestações de 500 kV já disponíveis no sertão
  • Preço de terra: Menor que Sul e Sudeste
  • Logística: Ferrovia Norte-Sul facilita transporte de equipamentos

Municípios como Brumado, Guanambi e Bom Jesus da Lapa concentram a maior parte dos projetos contratados. A irradiação nesses locais é superior a 6 kWh/m²/dia — entre as melhores do mundo.

Minas Gerais: 0,8 GW no Norte e Noroeste

O Norte de Minas, especialmente a região de Montes Claros e Janaúba, tem irradiação de 5,5-5,8 kWh/m²/dia e acesso à rede de transmissão. A proximidade com o Sudeste consumidor facilita o escoamento da energia.

Piauí: 0,6 GW com potencial de crescimento

O Piauí tem a maior irradiação do Brasil (6,0-6,4 kWh/m²/dia em alguns municípios), mas ainda enfrenta gargalos de transmissão. Os 0,6 GW contratados dependem de expansões nas linhas de 500 kV previstas para 2029-2030.

Comparação com leilões anteriores

LeilãoAnoVolume contratadoPreço médioMenor preço
A-520211,8 GWR$ 242/MWhR$ 221/MWh
A-520222,1 GWR$ 218/MWhR$ 198/MWh
A-520252,5 GWR$ 199/MWhR$ 185/MWh
A-520272,8 GWR$ 199/MWhR$ 181/MWh
A-520283,2 GWR$ 175/MWhR$ 168/MWh

A tendência de queda de preços é consistente: em 7 anos, o preço médio caiu 28%. Essa deflação reflete a combinação de módulos mais baratos (especialmente TOPCon bifacial), melhor acesso ao crédito, redução do custo de capital e concorrência acirrada entre desenvolvedores.

Impacto para quem está pensando em instalar solar residencial

O resultado do leilão não afeta diretamente quem instala no telhado — os leilões contratam geração centralizada (usinas de dezenas de megawatts), não microgeração distribuída. Mas há efeitos indiretos relevantes:

1. Pressão de baixa nos módulos: Os grandes desenvolvimentos contratam milhões de módulos por vez. Quando negociam com fabricantes chineses, os preços que conseguem influenciam toda a cadeia. Em 2025-2026, módulos TOPCon de 580 Wp chegaram ao Brasil por R$ 0,85/Wp em volumes grandes, e essa pressão se reflete parcialmente no atacado residencial.

2. Sinal regulatório positivo: Um leilão bem-sucedido com preços recordes reforça a credibilidade do marco regulatório brasileiro. Isso facilita acesso a financiamento de longo prazo (BNB, BNDES) para projetos menores, incluindo minigeração e geração compartilhada.

3. Mais energia limpa na rede: Os 3,2 GW contratados vão entrar em operação em 2031. Com mais solar e eólica na rede, a tendência é que as bandeiras tarifárias (vermelha, amarela) se tornem menos frequentes — o que beneficia todos os consumidores.

Perspectivas para os próximos leilões

A ANEEL sinalizou que o A-5 de 2029 pode ter volume ainda maior — estimativas iniciais apontam para 4-5 GW. O fator limitante não é mais o preço (energia solar já é a mais barata do sistema), mas a capacidade de transmissão para escoar a geração das regiões mais ensolaradas.

O Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2035), publicado pela EPE, prevê que solar fotovoltaica representará 35% da capacidade instalada do Brasil em 2035, contra cerca de 18% atual. Esse crescimento depende diretamente de leilões como o A-5 2028 continuarem entregando preços competitivos e volumes recordes.

Para o consumidor residencial, a mensagem é clara: a energia solar nunca foi tão barata, a tendência de queda continua, e cada ano de atraso na instalação significa perder meses de economia.

O que é o modelo PPA e como funciona para os projetos contratados?

Os projetos do A-5 2028 foram contratados sob o modelo PPA (Power Purchase Agreement) de 20 anos com a distribuidora. Isso significa que os empreendedores vendem a energia a R$ 168–175/MWh por duas décadas — receita previsível que lastreia o financiamento dos projetos.

Para o desenvolvedor, o PPA longo viabiliza o financiamento bancário porque transforma o fluxo de caixa do projeto em algo previsível. O BNDES e bancos privados financiam 70–80% do investimento com base na receita garantida pelo contrato.

Para o consumidor final, o benefício é indireto: a distribuidora compra energia barata nos leilões e usa essa energia para atender seus clientes cativos. Quando o mix de energia da distribuidora inclui mais solar a R$ 175/MWh (barata), há menos pressão para aumentar a tarifa com fontes mais caras.

Gargalos de transmissão: o principal limitador do crescimento solar no Brasil

O maior obstáculo para contratar ainda mais solar nos leilões não é o preço (já é competitivo), nem a disponibilidade de projetos — é a capacidade de transmissão para escoar a geração das regiões mais ensolaradas do país.

O Norte do Brasil, por exemplo, tem irradiação excelente mas infraestrutura de transmissão limitada. O Nordeste já tem muita geração solar e eólica, mas as linhas de 500 kV que ligam a região ao Sudeste consumidor já operam próximas à capacidade máxima em determinados horários.

O Plano de Transmissão do ONS prevê R$ 40 bilhões em novos linhões até 2030 — investimento que desbloqueará novos polos de geração solar, especialmente no Piauí e no Maranhão, onde a irradiação é excepcionalmente alta.

Impacto ambiental dos 3,2 GW contratados

Os 3,2 GW do A-5 2028, em operação a partir de 2031, gerarão aproximadamente 6,5 bilhões de kWh por ano — energia suficiente para abastecer cerca de 3 milhões de residências brasileiras.

Em termos de emissões evitadas: considerando que a energia solar substitui parcialmente termelétricas com fator de emissão médio de 0,08 tCO₂/MWh do sistema interligado nacional (SIN), os 3,2 GW evitarão a emissão de aproximadamente 520.000 toneladas de CO₂ por ano.

Para o Brasil, que assumiu compromissos de descarbonização no Acordo de Paris, cada GW contratado em solar ajuda a cumprir as metas de redução de emissões sem comprometer a segurança do fornecimento de energia.

Fontes e referências