Mercado 7 min de leitura

Custo do kWh solar vs rede: historico e projecao ate 2035

O kWh solar ja e 5x mais barato que a tarifa da rede. Veja a evolucao historica e projecao para os proximos anos.

Por Redação Editorial CustoSolar

A história de uma assimetria crescente

Em 2010, o kWh solar custava cerca de R$ 1,50 — enquanto a tarifa média da rede elétrica brasileira era de R$ 0,28/kWh. O solar era caro demais para a maioria das residências. Em 2026, essa relação se inverteu de forma dramática: o kWh solar custa entre R$ 0,17 e R$ 0,35 (dependendo da metodologia), enquanto a tarifa média subiu para R$ 0,90/kWh.

Essa inversão não foi acidente — foi resultado de duas forças ainda ativas: a curva de aprendizado da indústria fotovoltaica (que derruba os custos dos módulos a cada geração tecnológica) e a escalada contínua dos custos da rede elétrica convencional.

Evolução do custo do kWh solar vs. rede

AnoLCOE solar (GD residencial)Tarifa rede (média)Diferença
2015R$ 0,68/kWhR$ 0,45/kWhSolar era mais caro
2018R$ 0,42/kWhR$ 0,65/kWhSolar 0,65x mais barato
2020R$ 0,32/kWhR$ 0,72/kWhSolar 2,25x mais barato
2022R$ 0,25/kWhR$ 0,80/kWhSolar 3,2x mais barato
2024R$ 0,20/kWhR$ 0,85/kWhSolar 4,25x mais barato
2026R$ 0,17/kWhR$ 0,90/kWhSolar 5,3x mais barato

O kWh solar já custa mais de 5 vezes menos do que a tarifa média da rede. E a tendência é de aumento dessa diferença: o custo solar cai 8 a 10% ao ano enquanto a tarifa sobe na mesma proporção.

Projeção até 2035

Com base nas tendências atuais:

AnoLCOE solar (GD)Tarifa rede (projetada)Diferença
2027R$ 0,15/kWhR$ 0,97/kWh6,5×
2028R$ 0,14/kWhR$ 1,05/kWh7,5×
2030R$ 0,11/kWhR$ 1,10/kWh10×
2033R$ 0,08/kWhR$ 1,30/kWh16×
2035R$ 0,06/kWhR$ 1,45/kWh24×

Essas projeções são baseadas em tendências históricas. Fatores externos como câmbio, política tarifária e cenário hídrico podem acelerar ou desacelerar o processo.

Por que a tarifa da rede sobe tanto?

A tarifa de energia no Brasil sobe por múltiplos fatores estruturais, regulamentados e auditados pela ANEEL:

Custo de transmissão e distribuição: A malha elétrica brasileira é extensa e cara de manter. A expansão para novas regiões e a modernização da infraestrutura são incorporadas às tarifas.

Encargos setoriais crescentes: CDE, PROINFA, CFURH e outros encargos somam 20 a 30% do custo da tarifa e tendem a crescer com as políticas de transição energética.

Risco hídrico: O Brasil depende fortemente de hidrelétricas. Em anos de seca, termelétricas mais caras são acionadas — e o custo vai para a tarifa via bandeiras Vermelha I e II.

Inflação dos contratos: Contratos de geração e transmissão são reajustados por IGP-M e IPCA, que historicamente superam a inflação geral em períodos de crise.

Por que o custo solar cai? E até onde vai?

O custo dos módulos fotovoltaicos caiu 90% desde 2010, impulsionado pela curva de aprendizado — a cada vez que a capacidade global instalada dobra, o custo por watt cai aproximadamente 20%.

A curva está desacelerando. Em 2026, a queda é de 8 a 12% ao ano — contra 20%+ nos anos 2010. Os custos de matéria-prima (silício, vidro, alumínio) têm limite inferior. A expectativa é de estabilização em torno de US$ 0,07 a 0,09/Wp para módulos (equivalente a R$ 3,50 a 4,00/Wp para sistemas residenciais no Brasil).

O custo real de esperar

Para uma residência em São Paulo com conta de R$ 450/mês:

Se instalou em 2024:

  • Custo do sistema: R$ 26.000
  • Payback (com reajuste de 8% a.a.): 3,8 anos → se paga em 2028
  • Em 2026 (2 anos depois): lucro acumulado de ~R$ 18.000

Se esperar até 2028:

  • Custo esperado do sistema: R$ 23.000 (queda de ~5%/ano = −R$ 3.000)
  • Conta de luz paga em 2026-2027 sem solar: R$ 450 × 24 meses + reajuste = R$ 11.664 extras
  • Economia de custo do sistema: R$ 3.000
  • Custo real de esperar 2 anos: R$ 11.664 − R$ 3.000 = R$ 8.664 perdidos

Esperar é uma decisão financeira ruim em praticamente qualquer cenário realista.

O que isso significa para quem está avaliando solar?

Cada ano que você adia a instalação, a economia perdida é maior do que a economia de esperar preços menores. O payback médio caiu de 7 anos (2020) para menos de 4 anos (2026). Quem instalou em 2020 já recuperou o investimento e está gerando retorno livre.

Segundo dados da ABSOLAR, o Brasil tem mais de 4,5 milhões de unidades consumidoras com solar fotovoltaico em 2025 — crescendo a mais de 1 milhão por ano. O crescimento é impulsionado exatamente pela percepção de que o solar é um dos melhores investimentos disponíveis para a pessoa física brasileira, com retorno equivalente a ~17 a 22% a.a. isento de IR.

Fator reajuste: a assimetria estrutural que garante o retorno

A tarifa sobe por IGPM, custo de transmissão, encargos setoriais e escassez hídrica. O custo solar depende do preço dos módulos (que só cai estruturalmente) e da taxa de juros (que flutua). Mesmo nos cenários mais conservadores, a diferença entre a tarifa da rede e o LCOE solar continua crescendo — o que significa que o retorno do solar melhora a cada ano para os novos instaladores.

O efeito da tecnologia TOPCon no LCOE residencial

A transição de módulos PERC para TOPCon (N-Type), que domina o mercado em 2026, tem impacto direto no LCOE residencial. Módulos TOPCon têm duas vantagens sobre o PERC que reduzem o custo nivelado:

Maior eficiência: módulos TOPCon de 550 a 620 Wp por painel permitem instalar mais potência no mesmo espaço de telhado — ou atingir a mesma potência com menos módulos e menos custos de estrutura e cabeamento.

Menor degradação anual: módulos TOPCon degradam em média 0,35 a 0,40%/ano, contra 0,50 a 0,55%/ano dos PERC. Em 25 anos, um sistema de 6 kWp TOPCon gera aproximadamente 10.000 kWh a mais que o equivalente em PERC — o que reduz o LCOE em R$ 0,03 a R$ 0,04/kWh.

O impacto combinado dessas vantagens faz com que o LCOE real dos sistemas instalados em 2026 seja mais baixo do que a maioria das projeções feitas 3 a 4 anos atrás previa — o que confirma a tendência histórica de o solar superar consistentemente as expectativas de custo.

O que acontece com o LCOE quando a tarifa muda de bandeira?

As bandeiras tarifárias (Verde, Amarela, Vermelha I e II) não afetam o LCOE solar em si, pois o custo do sistema é fixo. Mas afetam o benefício efetivo de cada kWh gerado. Em períodos de Bandeira Vermelha II, cada kWh solar economizado vale R$ 0,97 a mais do que na Bandeira Verde — o que melhora ainda mais o retorno financeiro do sistema durante esses períodos.

Na prática, isso significa que quem instala em anos de alta frequência de bandeiras vermelhas tem payback mais rápido do que o calculado com a tarifa-base. O Brasil viveu períodos prolongados de Bandeira Vermelha I e II entre 2021 e 2024, e a perspectiva hídrica para 2026-2027 indica maior probabilidade de bandeiras mais caras. Isso reforça o argumento de que instalar agora é melhor do que aguardar.

Fontes e referências