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String box e protecao do sistema solar: DPS, disjuntores e fusivel

Entenda os componentes de protecao eletrica do sistema fotovoltaico: string box, DPS, disjuntores CC e fusiveis. Como proteger seu investimento.

Por Redação Editorial CustoSolar

Por que a proteção elétrica importa mais do que parece

Um sistema fotovoltaico sem proteção adequada pode sofrer danos graves por surtos atmosféricos, sobrecorrente ou curto-circuito. O detalhe que muitos proprietários desconhecem: ao contrário da maioria dos equipamentos elétricos, os painéis solares não podem ser simplesmente “desligados” durante uma tempestade. Enquanto houver luz solar — mesmo difusa, mesmo com nuvens — os módulos continuam gerando tensão elétrica. Isso torna a proteção elétrica absolutamente crítica para a segurança do sistema e das pessoas.

A boa notícia é que os componentes de proteção custam menos de 5% do valor total do sistema fotovoltaico e, quando bem instalados, evitam prejuízos que podem superar o custo do sistema inteiro. Um surto atmosférico forte, sem proteção adequada, pode queimar o inversor (R$ 3.000 a R$ 8.000), danificar os módulos e, em casos extremos, causar incêndio.

O que é a string box e como ela funciona?

A string box — também chamada de caixa de junção fotovoltaica — é o componente central de proteção do lado CC (corrente contínua) do sistema solar. Ela fica posicionada entre os painéis e o inversor, recebendo as strings (grupos de painéis em série) e conectando-as ao inversor de forma segura e protegida.

Internamente, a string box abriga três componentes essenciais:

DPS CC (Dispositivo de Proteção contra Surtos)

O DPS é a primeira linha de defesa contra surtos de tensão. Em sistemas fotovoltaicos, os surtos podem ser causados por:

  • Raios que caem diretamente no sistema ou nas proximidades
  • Surtos induzidos por descargas atmosféricas nos cabos de conexão
  • Manobras na rede elétrica da concessionária

Especificações mínimas exigidas pela NBR 16690:

  • Tipo II (proteção contra surtos induzidos)
  • Tensão máxima de operação contínua (Uc): ≥ 1.000 V CC
  • Corrente de descarga nominal (In): ≥ 20 kA
  • Corrente máxima de descarga (Imax): ≥ 40 kA

O DPS possui um indicador visual que facilita a inspeção: janela verde significa operacional, janela vermelha significa esgotado e exige substituição imediata. Um DPS esgotado não oferece proteção alguma — o sistema fica completamente exposto a surtos.

Marcas de referência disponíveis no Brasil:

  • Clamper VCL Solar (nacional, boa relação custo-benefício)
  • Finder 7P (importado, alta qualidade)
  • ABB OVR PV (premium, ideal para sistemas comerciais)

Fusível CC de string

O fusível protege cada string individual contra sobrecorrente. A NBR 16690 estabelece que fusível de string é obrigatório quando o sistema possui 3 ou mais strings em paralelo — porque, sem fusível, uma falha em uma string pode ser alimentada pelas demais, gerando calor e risco de incêndio nos cabos e módulos.

Especificações críticas para fusíveis CC em fotovoltaico:

  • Tensão nominal: 1.000 V CC (fusíveis convencionais de CA não funcionam em CC)
  • Corrente calibrada: 125–150% do Isc da string
  • Tipo: gPV (específico para fotovoltaico)

Para um sistema típico com módulos de 555 W e Isc de 14 A, o fusível de string deve ser calibrado para 18–21 A.

Marcas recomendadas:

  • Bussmann série PV (importado, amplamente disponível)
  • Suntree (nacional, boa relação custo-qualidade)
  • Littelfuse PV series (premium)

Seccionadora CC (chave de desconexão)

A seccionadora permite desconectar completamente os painéis do inversor para manutenção segura. Sem ela, um técnico trabalhando no inversor estaria exposto à tensão dos painéis — que pode ser de 400 a 700 V CC, suficiente para causar parada cardíaca.

A seccionadora deve ser do tipo rotativo com trava de segurança, suportar a tensão máxima do sistema (Voc máximo na menor temperatura esperada) e ser facilmente acessível para operação de emergência.

Proteção no lado CA: saída do inversor

A proteção não termina na string box. O lado CA (após o inversor) também exige componentes de proteção específicos:

DPS CA

Instalado no quadro de distribuição residencial, protege o inversor e os equipamentos elétricos da casa contra surtos que chegam pela rede elétrica da concessionária — que pode transmitir surtos gerados por raios em outras partes do sistema.

Especificações:

  • Tipo II, 275 V (sistema monofásico) ou 440 V (trifásico)
  • Corrente de descarga nominal ≥ 20 kA
  • Com indicador visual de status

Disjuntor bipolar ou tripolar

Protege o circuito entre o inversor e o quadro contra sobrecorrente. Deve ser dimensionado para 125% da corrente nominal do inversor:

Potência do inversorCorrente nominalDisjuntor recomendado
3 kW monofásico13 A20 A curva C
5 kW monofásico22 A32 A curva C
8 kW monofásico35 A50 A curva C
10 kW trifásico15 A (por fase)25 A curva C (por fase)

Seccionadora CA

Permite desconectar o inversor da rede elétrica sem abrir o disjuntor principal da casa. É exigida pela maioria das distribuidoras no processo de homologação e essencial para procedimentos de manutenção e inspeção segura.

Aterramento correto: a base de toda proteção

O aterramento é o componente de proteção mais frequentemente negligenciado. É também o mais crítico: sem aterramento adequado, os demais dispositivos de proteção (DPS, fusíveis) não funcionam corretamente.

O sistema fotovoltaico deve ser aterrado conforme NBR 5410 e NBR 16690, conectando:

  • A estrutura metálica dos painéis (perfis de alumínio das fixações)
  • As carcaças dos inversores
  • A caixa metálica da string box
  • O condutor de proteção (PE) verde-amarelo em todos os circuitos CA

Exemplo com números reais: Para um sistema de 6 kWp em residência em Campinas (SP):

  • 2 hastes de aterramento de 5/8” × 3 m, com resistência medida ≤ 10 Ω
  • Condutor de aterramento de 6 mm² (cobre) interligando estrutura dos painéis, string box e quadro elétrico
  • DPS de Classe I na string box para proteção contra descargas atmosféricas diretas
  • Barra de equipotencialização no quadro para unificar todos os aterramentos

Quanto custa a proteção elétrica completa?

Para um sistema residencial típico de 5–8 kWp, o custo total da proteção elétrica completa fica assim:

ComponenteQuantidadeCusto unitárioTotal
String box 2 strings1R$ 350–500R$ 350–500
DPS CC (incluso na string box)2 polos
Fusível CC gPV2 unidadesR$ 25–40R$ 50–80
Seccionadora CC1R$ 80–120R$ 80–120
DPS CA1R$ 150–250R$ 150–250
Disjuntor CA1R$ 30–80R$ 30–80
Haste de aterramento + condutor1 kitR$ 150–300R$ 150–300
Total proteçãoR$ 810–1.330

Para um sistema de R$ 25.000 a R$ 35.000, isso representa 2,3–5,3% do custo total — um seguro muito barato contra perdas muito grandes.

Quando inspecionar e substituir os DPS

O DPS tem vida útil limitada — cada surto descarregado consome parte da capacidade protetora. A inspeção deve seguir este protocolo:

  1. A cada 12 meses — verificar o indicador visual de cada DPS; se vermelho, substituir imediatamente
  2. Após tempestades fortes com raios próximos — mesmo sem sinal visível de dano, inspecionar todos os DPS
  3. Sempre que o inversor apresentar falhas inexplicáveis — um DPS esgotado pode ter deixado um surto anterior danificar o equipamento

A substituição do DPS é simples e barata — R$ 150 a R$ 260 por unidade — e deve ser feita sem demora. Um DPS esgotado não oferece proteção alguma para o próximo surto.

Segundo a ANEEL, o crescimento de sistemas fotovoltaicos conectados à rede no Brasil exige atenção crescente à qualidade das instalações e à manutenção preventiva. Informações sobre requisitos técnicos de proteção estão disponíveis em www.aneel.gov.br.

Dimensionamento dos cabos CC: a proteção que ninguém vê

Além dos dispositivos de proteção ativa (DPS, fusíveis), o dimensionamento correto dos cabos CC é uma forma de proteção passiva essencial. Cabos subdimensionados geram calor, reduzem a eficiência e podem causar incêndio por arco elétrico.

A NBR 16690 define que os cabos CC devem ser dimensionados para:

  • Perda de tensão máxima de 1,5% no percurso
  • Capacidade de condução ≥ 1,25 × Isc da string
  • Resistência à temperatura de 90°C e à radiação UV (cabos específicos para uso solar, como H1Z2Z2-K 1kV)

Para percursos longos — painéis no telhado e inversor na garagem, por exemplo — a seção do cabo deve ser calculada cuidadosamente. Um percurso de 30 m com Isc de 14 A exige cabo de 6 mm² para manter a perda abaixo de 1,5%. Usar 4 mm² geraria ~2,2% de perda — parece pouco, mas ao longo de 25 anos de operação representa uma quantidade significativa de energia perdida.

Fontes e referências