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Solar em apartamento: modulos de sacada e geracao compartilhada em 2028

Morador de apartamento pode ter solar? Sim — com modulos de sacada (plug-and-play) ou geracao compartilhada.

Por Redação Editorial CustoSolar

Morador de apartamento pode ter energia solar?

Essa é a pergunta que milhões de brasileiros que vivem em apartamentos fazem ao ver a conta de luz subindo todo ano. A resposta é sim — mas o caminho é diferente do sistema instalado em casas com telhado.

Até 2024, o morador de apartamento praticamente não tinha opção prática. O condomínio poderia instalar painéis no telhado do prédio para as áreas comuns, mas o apartamento individual ficava de fora. Isso começou a mudar com a regulamentação dos módulos de sacada (também chamados de sistemas balcão ou plug-and-play) e com a popularização da geração compartilhada via cooperativas.

Em 2028, há pelo menos duas rotas bem estabelecidas para o morador de apartamento reduzir a conta de luz com energia solar: instalar módulos na sacada do próprio apartamento ou assinar energia de usinas remotas pela geração compartilhada. Cada opção tem vantagens e limitações que vale entender antes de decidir.

Módulos de sacada: como funcionam na prática?

Os módulos de sacada — também chamados de sistemas plug-and-play ou solar balcão — chegaram ao Brasil com força a partir de 2026, impulsionados por resolução da ANEEL que regulamentou sistemas de até 600 W sem necessidade de projeto de engenharia ou homologação prévia na distribuidora.

O funcionamento é simples: são painéis de 400 a 600 Wp equipados com microinversor integrado na parte traseira. O microinversor converte a energia DC gerada pelo painel em energia AC sincronizada com a rede doméstica. O conjunto é conectado diretamente em uma tomada comum — literalmente plug-and-play.

A geração acontece durante o dia e é consumida imediatamente pelos equipamentos ligados no apartamento: geladeira, televisão, iluminação, ar-condicionado. Se a geração superar o consumo instantâneo, o excedente é injetado na rede do prédio — nos sistemas com medidor inteligente, esse excedente pode ser creditado como geração distribuída.

ConfiguraçãoPotênciaGeração mensal (SP)Economia mensalPreço
1 módulo sacada400 Wp45 kWhR$ 41R$ 1.800
2 módulos sacada800 Wp90 kWhR$ 83R$ 3.200
Kit varanda completo1.200 Wp135 kWhR$ 124R$ 4.500

Os valores de geração mensal consideram São Paulo com 4,5 horas de sol pleno por dia e sacada orientada para norte ou nordeste. O payback fica em torno de 3 a 4 anos para a configuração de 1 módulo bem orientado.

Quais são as limitações dos módulos de sacada?

Os módulos de sacada são uma solução prática, mas não perfeita. Conhecer as limitações ajuda a ter expectativas realistas.

Limite de potência sem projeto: A ANEEL estabeleceu 600 W como o limite para instalação sem projeto técnico e sem homologação na distribuidora. Acima disso, é necessário projeto de engenharia, ART e processo de conexão formal — o mesmo que se faz para sistemas em casas. Isso eleva o custo e o prazo, reduzindo a atratividade para apartamentos.

Orientação da sacada: Uma sacada voltada para norte ou nordeste pode gerar até 30% mais do que uma voltada para sul ou sudoeste. Em prédios com sacadas voltadas para sul — especialmente no Sul do Brasil — a geração pode ser insuficiente para compensar o investimento no prazo esperado.

Sombreamento por prédios vizinhos: Em regiões urbanas densas, prédios vizinhos, torres de água ou estruturas do próprio condomínio podem sombrear a sacada durante parte significativa do dia. Antes de comprar, monitore o sombreamento na sacada durante pelo menos uma semana em diferentes horários.

Aprovação do condomínio: Para instalação na grade ou estrutura da sacada, pode ser necessária aprovação da assembleia de condomínio. A lei não obriga o condomínio a aprovar, embora haja projetos de lei estaduais que caminham nessa direção. Sistemas apoiados internamente na sacada, sem fixação na estrutura do prédio, geralmente não precisam de autorização.

Limitação da economia: Com 600 W de pico, a economia máxima em São Paulo fica em torno de R$ 125 a R$ 150/mês. Para famílias com conta de R$ 400 ou mais, isso representa um desconto útil mas não total.

Geração compartilhada: a alternativa sem instalação

Se a sacada não tem boa orientação, não recebe sol suficiente ou o condomínio não aprova a instalação, a geração compartilhada é a alternativa ideal para o morador de apartamento.

O mecanismo funciona assim: uma usina solar de médio ou grande porte é instalada em área rural ou periurbana. Vários consumidores se associam a essa usina e recebem créditos de energia proporcionais à sua cota, diretamente abatidos na conta de luz. Não há nada instalado no apartamento — o benefício vem da compensação dos créditos da usina remota.

Empresas como Sun Mobi, Nexen, Renova e diversas cooperativas estaduais oferecem esse serviço com desconto de 10 a 20% na conta de luz. O consumidor assina um contrato de assinatura mensal e a empresa administra a usina e distribui os créditos.

Vantagens da geração compartilhada para apartamentos:

  • Sem investimento inicial (modelo de assinatura)
  • Sem obras, sem aprovação do condomínio
  • Funciona em qualquer orientação e qualquer tipo de imóvel
  • Portabilidade: se mudar de apartamento, pode transferir o contrato

Desvantagens:

  • O desconto de 10-20% é menor do que o de um sistema próprio instalado (30-70%)
  • Você não é dono da usina — é um assinante do serviço
  • Contratos costumam ter prazo mínimo de 12 a 36 meses

Condomínio solar: a opção coletiva com maior retorno

Uma terceira via, cada vez mais adotada por condomínios residenciais, é a instalação de um sistema fotovoltaico no telhado do prédio para abastecer as áreas comuns — elevadores, iluminação, portaria, piscina e bomba d’água. O custo é dividido entre todos os condôminos por meio do fundo de obras ou financiamento coletivo.

Essa solução reduz a taxa condominial em R$ 30 a R$ 150/mês por apartamento, dependendo do porte do sistema e do consumo das áreas comuns. O retorno costuma ser de 3 a 5 anos, e a economia se prolonga por 25 anos.

O processo de aprovação exige assembleia com quórum qualificado. A ABSOLAR estima que mais de 8.000 condomínios no Brasil já tinham sistemas fotovoltaicos instalados até o final de 2027 — número que dobrou em dois anos.

Considere um condomínio em São Paulo com 60 apartamentos e áreas comuns consumindo 8.000 kWh/mês. Um sistema de 60 kWp no telhado gera aproximadamente 7.200 kWh/mês e economiza cerca de R$ 6.600/mês (tarifa de R$ 0,92/kWh). Dividido por 60 apartamentos: R$ 110/apartamento/mês de redução na taxa condominial. Com investimento total de R$ 240.000 (R$ 4.000/kWp), o payback coletivo é de cerca de 3 anos.

Como escolher a melhor opção?

A escolha ideal depende de quatro fatores: orientação da sacada, valor da conta de luz, disponibilidade de capital e disposição para instalar.

Para quem tem sacada voltada para norte com boa irradiação e conta acima de R$ 200/mês, os módulos plug-and-play fazem sentido financeiro. Para quem tem sacada mal orientada ou conta mais baixa, a geração compartilhada por assinatura oferece benefício sem risco de capital. E para quem quer impacto maior na conta, articular a instalação de sistema no telhado do condomínio é o caminho com maior retorno de longo prazo.

Fontes e referências