Guia 10 min de leitura

Energia solar em condominio: como funciona e quanto cada morador economiza

Como instalar energia solar em condominio residencial. Modalidades de compensacao, divisao de creditos, custo por unidade e aspectos legais.

Por Redação Editorial CustoSolar

A energia solar em condomínios residenciais é um dos segmentos que mais cresce no Brasil. Segundo a ABSOLAR, em 2025 já havia mais de 180.000 condomínios com alguma forma de geração solar instalada, e a expectativa é superar 500.000 até 2030. O crescimento é impulsionado pela queda dos preços dos equipamentos, pelo amadurecimento do marco legal (Lei 14.300/2022) e pela consciência crescente dos administradores e síndicos sobre o potencial de redução de custos.

Mas como exatamente a energia solar funciona em um condomínio? Quem pode fazer? Quanto cada morador economiza? Quais são os modelos disponíveis? Este guia responde a essas perguntas de forma completa e prática.

Morar em apartamento não impede de ter energia solar

Até 2023, morador de apartamento estava praticamente excluído do mercado solar. Agora existem pelo menos 3 caminhos que funcionam, cada um com trade-offs diferentes.

A mudança veio com a Resolução Normativa ANEEL 482/2012 (e suas revisões subsequentes) e com a Lei 14.300/2022, que instituiu o Marco Legal da Microgeração e Minigeração Distribuída. Essa legislação permitiu que condomínios instalem sistemas solares e distribuam os créditos gerados entre as unidades consumidoras — seja para as áreas comuns, seja para os apartamentos individualmente.

Caminho 1: Solar no telhado do condomínio (áreas comuns)

O condomínio instala painéis no telhado do prédio para abater a conta de energia das áreas comuns: elevadores, iluminação, bombas de água, portaria.

Como funciona

  • O sistema é dimensionado para cobrir o consumo das áreas comuns
  • O investimento sai do fundo de reserva ou é rateado entre moradores
  • A economia aparece na taxa condominial (redução da parcela de energia)

Números típicos

PrédioConsumo áreas comunsSistemaCustoEconomia mensal
20 aptos, 4 andares2.500 kWh/mês15 kWpR$ 72.000R$ 2.125
50 aptos, 10 andares6.000 kWh/mês33 kWpR$ 155.000R$ 5.100
100 aptos, 15 andares12.000 kWh/mês66 kWpR$ 290.000R$ 10.200

Economia por unidade: R$ 50-100/mês na taxa condominial. Payback: 3-4 anos.

Tomando o exemplo do prédio de 50 apartamentos: a economia de R$ 5.100/mês na conta das áreas comuns se traduz em R$ 102/mês por unidade na taxa condominial. Se a taxa era R$ 800/mês, passa a ser R$ 698/mês. O investimento de R$ 155.000, rateado em 50 unidades, é R$ 3.100/apartamento — e é pago em 30 meses de economia.

O desafio: aprovação em assembleia

A instalação de solar em condomínio exige aprovação de 2/3 dos condôminos em assembleia. Na prática, você precisa convencer 67% dos moradores. A resistência geralmente vem de:

  • Moradores que pretendem se mudar em breve (“não vou pagar por algo que só se paga em 4 anos”)
  • Desconfiança com a tecnologia (“e se quebrar?”)
  • Moradores que acham que vai “estragar a fachada”

A melhor estratégia: apresente os números com payback e economia por unidade. Mostre que a economia é permanente (25 anos) e que o investimento valoriza o imóvel. Estudos do mercado imobiliário indicam que imóveis com energia solar se valorizam entre 3% e 6% — em um apartamento de R$ 500.000, isso representa R$ 15.000 a R$ 30.000 em valorização.

Caminho 2: Geração compartilhada (cooperativa/consórcio solar)

Você entra em uma cooperativa ou consórcio solar que tem uma usina em outro local. A usina gera créditos que são divididos entre os membros. Os créditos abatam sua conta de luz.

Como funciona

  1. Você adere a uma cooperativa solar (contrato de 2-5 anos)
  2. A cooperativa tem uma usina que gera energia (geralmente em zona rural)
  3. Os créditos são enviados para o CPF/CNPJ dos membros
  4. Sua distribuidora abate os créditos da sua conta

Quanto custa

A maioria das cooperativas cobra um valor mensal equivalente a 80-85% do valor dos créditos. Ou seja: você ganha desconto de 15-20% na conta de luz sem investimento nenhum.

Exemplo: Conta de luz de R$ 500/mês

  • Crédito solar recebido: R$ 400 (80% da conta)
  • Pagamento à cooperativa: R$ 340 (85% do crédito)
  • Economia líquida: R$ 60/mês (12% da conta)
  • Você ainda paga a taxa mínima: R$ 60-100

Cooperativas atuando no Brasil (2026)

  • SunVolt (MG, SP, GO)
  • Solis Cooperativa (RS, SC, PR)
  • RevoluSolar (RJ)
  • iGreen (SP, MG, BA)

Riscos

  • Se a cooperativa falhar (gestão ruim, problemas jurídicos), você perde os créditos
  • Contratos longos (3-5 anos) com multa de saída
  • A economia é menor que ter seu próprio sistema

Antes de aderir a qualquer cooperativa, pesquise o histórico da empresa, verifique se ela tem registros na ANEEL como agente de geração distribuída e consulte reclamações no Procon e Reclame Aqui. A transparência na prestação de contas mensais (extrato de créditos gerados e distribuídos) é um bom indicador de seriedade.

Caminho 3: Assinatura solar (aluguel de usina)

Empresas vendem créditos de energia de suas usinas diretamente para consumidores. Você não é dono de nada — é como assinar um plano de desconto na conta de luz.

Como funciona

  • Você contrata uma “assinatura solar” (ex: 300 kWh/mês)
  • A empresa gera essa energia em sua usina e envia créditos pro seu CPF
  • Você paga à empresa um valor menor que a tarifa da distribuidora

Quanto custa

Desconto típico: 10-18% sobre a tarifa da distribuidora.

Exemplo: 400 kWh/mês de consumo

  • Conta sem solar: R$ 340/mês
  • Com assinatura solar (desconto 15%): R$ 289/mês
  • Economia: R$ 51/mês

Empresas de assinatura solar (2026)

  • Sun Mobi (SP, RJ, MG)
  • Nexen Solar (nacional)
  • Sou Energy (BA, PE, CE)

Qual caminho escolher?

CritérioTelhado do condomínioCooperativaAssinatura
InvestimentoR$ 1.000-5.000/unidadeR$ 0R$ 0
Economia mensalR$ 50-100R$ 40-80R$ 30-60
Payback3-4 anosImediatoImediato
RiscoBaixo (ativo físico)Médio (depende da cooperativa)Baixo
CompromissoPermanente2-5 anos1-2 anos

Se o condomínio tem telhado adequado e 2/3 dos moradores topam: caminho 1 é o melhor retorno.

Se você quer economia sem investimento e sem risco: caminho 3 (assinatura).

Se você quer economia maior sem investimento: caminho 2 (cooperativa), mas pesquise a reputação da empresa.

Aspectos legais importantes

A Lei 14.300/2022 e as normas da ANEEL estabelecem regras claras para a geração distribuída em condomínios:

  • O sistema instalado no telhado do condomínio é patrimônio do condomínio, não de nenhum morador individualmente
  • A divisão dos créditos entre as unidades deve ser aprovada em assembleia e registrada na ata
  • A distribuidora deve ser comunicada sobre qualquer alteração na divisão de créditos
  • O sistema deve ter ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) de engenheiro habilitado
  • O seguro do condomínio deve ser atualizado para incluir o sistema fotovoltaico

O futuro: apartamento com solar individual

Alguns prédios novos já incluem microusina solar individual por apartamento. Cada unidade tem 2-4 painéis na fachada ou terraço com microinversor próprio. Ainda é raro, mas a tendência cresce em empreendimentos sustentáveis de alto padrão.

Outra possibilidade: comunidades energéticas (previstas na regulamentação ANEEL 2026+), onde moradores de um bairro compartilham uma microusina solar local.

Fontes e referências