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Tarifa de energia por distribuidora: tabela atualizada 2026

Tabela com tarifas de energia eletrica das principais distribuidoras do Brasil em 2026. Compare valores e entenda como a tarifa impacta o payback solar.

Por Redação Editorial CustoSolar

Tarifas residenciais por distribuidora (2026)

A tarifa de energia elétrica é o fator que mais influencia o retorno financeiro de um sistema solar. Quanto mais cara a energia da sua distribuidora, mais você economiza por kWh gerado — e mais rapidamente recupera o investimento. Em 2026, a diferença entre a distribuidora mais cara e a mais barata é de quase R$ 0,25/kWh — o que representa uma diferença de mais de 1 ano no payback para sistemas equivalentes.

Os valores abaixo são a tarifa efetiva residencial (TE + TUSD) com impostos, para consumo acima de 220 kWh/mês, em bandeira verde (sem acréscimos). Os valores foram calculados com base nos reajustes homologados pela ANEEL até março/2026.

DistribuidoraEstado(s)Tarifa (R$/kWh)Ranking
CelescSC0,951
CEMIGMG0,932
Enel SPSP (capital)0,913
CPFL PaulistaSP (interior)0,904
LightRJ (capital)0,895
CopelPR0,886
Enel RJRJ0,877
RGE SulRS0,868
CEEERS0,859
CEBDF0,8410
ElektroSP/MS0,8311
EDP SPSP0,8212
EnergisaMG/MT/MS/TO/PB/SE0,8213
CoelbaBA0,8014
Neoenergia PEPE0,7915
EquatorialMA/PA/PI/AL/GO0,7816
CosernRN0,7717
Enel CECE0,7618
CelpaPA0,7519
Amazonas EnergiaAM0,7320

Observação: Valores aproximados com base nos reajustes homologados pela ANEEL até março/2026. A tarifa exata depende da faixa de consumo, classe (B1 residencial) e bandeira tarifária vigente. Para verificar a tarifa exata da sua distribuidora, acesse www.aneel.gov.br.

Por que as tarifas variam tanto entre distribuidoras?

A diferença de quase R$ 0,25/kWh entre Celesc (SC) e Amazonas Energia (AM) não é acidental — reflete uma série de fatores estruturais e regionais:

Custo de distribuição: Regiões de menor densidade populacional (Norte do Brasil) têm maior custo por km de rede elétrica. A Amazonas Energia atende uma área enorme com poucos consumidores — o custo é alto, mas é subsidiado pelo governo federal para manter a tarifa acessível. O resultado paradoxal é que a região com maior custo de distribuição pode ter tarifa menor que a tarifa de estados mais ricos.

Perdas técnicas e não técnicas: Distribuidoras com alto índice de furto de energia (fraudes) repassam parte desse custo para os consumidores regulares. É um dos fatores que eleva a tarifa em algumas distribuidoras nordestinas.

Mix de geração: Distribuidoras de estados com grande geração própria de energia (hídrica, eólica) tendem a ter acesso a energia mais barata no mercado atacadista, reduzindo a tarifa final.

ICMS estadual: O ICMS sobre energia elétrica varia de 17% (alguns estados) a 27% (outros), e representa 10–15% da tarifa total. Santa Catarina, por exemplo, tem ICMS de 25% sobre energia — um dos maiores do Brasil — o que contribui para a Celesc ter a tarifa mais alta do ranking.

Como a tarifa impacta o payback solar?

A diferença é enorme. Para um sistema idêntico de 5 kWp (R$ 24.000), veja como o payback varia por distribuidora:

DistribuidoraTarifaEconomia mensalPayback
Celesc (SC)R$ 0,95R$ 4804,2 anos
CEMIG (MG)R$ 0,93R$ 4704,3 anos
Enel SPR$ 0,91R$ 4604,3 anos
Light (RJ)R$ 0,89R$ 4494,4 anos
Copel (PR)R$ 0,88R$ 4444,5 anos
Coelba (BA)R$ 0,80R$ 4035,0 anos
Equatorial (MA)R$ 0,78R$ 3945,1 anos
Enel CER$ 0,76R$ 3845,2 anos
Amazonas EnergiaR$ 0,73R$ 3695,4 anos

Quase 1,2 ano de diferença no payback entre a tarifa mais alta (Celesc, SC) e a mais baixa (Amazonas Energia, AM). Ao longo de 25 anos de vida útil do sistema, essa diferença representa dezenas de milhares de reais a mais ou a menos de economia acumulada.

Cálculo de economia acumulada para o mesmo sistema de 5 kWp:

  • Celesc (SC): R$ 480/mês × 12 meses × 25 anos = R$ 144.000
  • Amazonas Energia (AM): R$ 369/mês × 12 meses × 25 anos = R$ 110.700
  • Diferença: R$ 33.300 de economia a mais em Santa Catarina para o mesmo sistema

Composição da tarifa: o que você está pagando

A tarifa que você paga na conta de luz tem vários componentes, e a energia solar compensa cada um de forma diferente:

ComponenteO que é% da tarifaCompensado pela GD?
TETarifa de Energia (geração)~45%Sim (100%)
TUSD Fio ATransmissão~10%Sim (isento)
TUSD Fio BDistribuição~25%Parcial (45% em 2026)
EncargosCDE, PROINFA, etc.~10%Parcial
TributosICMS, PIS, COFINS~10%Depende do estado

A Lei 14.300/2022 estabeleceu que o TUSD Fio B seria gradualmente descontado da compensação de energia solar até 2029. Em 2026, 45% do TUSD Fio B é cobrado sobre a energia compensada — ou seja, você recebe crédito pelo kWh gerado, mas paga uma parte do custo de distribuição.

Isso significa que a tarifa efetiva de compensação é levemente menor que a tarifa total que você pagaria se consumisse da rede. Em Minas Gerais, por exemplo:

  • Tarifa total: R$ 0,93/kWh
  • Tarifa de compensação efetiva: ~R$ 0,88/kWh (descontando 45% do TUSD Fio B)

Para o cálculo de payback mais preciso, use a tarifa de compensação, não a tarifa total.

Bandeiras tarifárias: o componente variável

As bandeiras tarifárias são um adicional cobrado conforme o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas. São definidas mensalmente pela ANEEL e adicionadas à tarifa base:

  • Verde: Sem acréscimo — reservatórios em nível adequado
  • Amarela: +R$ 0,018/kWh — situação de atenção
  • Vermelha 1: +R$ 0,044/kWh — situação crítica
  • Vermelha 2: +R$ 0,078/kWh — situação de emergência

A bandeira vermelha aumenta a economia com energia solar proporcionalmente — se você economiza 600 kWh/mês e a bandeira vermelha 2 está ativa, a economia mensal sobe em 600 × R$ 0,078 = R$ 47/mês. Em anos de crise hídrica prolongada (2021 foi um exemplo severo), a bandeira vermelha pode ficar ativa por 8–10 meses, melhorando significativamente o retorno do solar.

Histórico de reajustes: por que o solar fica mais atrativo com o tempo

Nos últimos 10 anos, a tarifa residencial de energia elétrica subiu em média 8–10% ao ano no Brasil, bem acima da inflação (IPCA médio de ~5%). Isso acontece por fatores estruturais:

  • Expansão da rede de transmissão e distribuição para atender novas regiões
  • Renovação de contratos de concessão de usinas hidrelétricas com preços maiores
  • Crescimento dos encargos setoriais (CDE, subsídios, etc.)
  • Aumento da participação de fontes mais caras (eólica, solar, térmica) na matriz

Para o investidor em energia solar, isso é ótima notícia: a economia solar aumenta a cada reajuste. Se você calcula o payback hoje com R$ 0,91/kWh (Enel SP), daqui a 5 anos a tarifa provavelmente estará em R$ 1,20–1,35/kWh. O sistema solar que você instalou continua gerando a mesma quantidade de energia — mas o valor de cada kWh gerado é maior. O payback real é mais curto do que o calculado hoje.

Como verificar sua tarifa exata

A forma mais precisa de saber sua tarifa efetiva:

  1. Pegue sua última conta de luz
  2. Some todos os valores cobrados (exceto impostos discriminados separadamente)
  3. Divida pelo consumo em kWh do mês

Esse valor é sua tarifa efetiva real, com todos os encargos. Use-o nos simuladores de payback solar para obter o resultado mais preciso possível.

Alternativa: acesse o site da sua distribuidora e consulte a “tarifa vigente” para sua classe (B1 residencial). A ANEEL disponibiliza todas as tarifas homologadas em www.aneel.gov.br/tarifas.

Fontes e referências