Tarifa de energia por distribuidora: tabela atualizada 2026
Tabela com tarifas de energia eletrica das principais distribuidoras do Brasil em 2026. Compare valores e entenda como a tarifa impacta o payback solar.
Tarifas residenciais por distribuidora (2026)
A tarifa de energia elétrica é o fator que mais influencia o retorno financeiro de um sistema solar. Quanto mais cara a energia da sua distribuidora, mais você economiza por kWh gerado — e mais rapidamente recupera o investimento. Em 2026, a diferença entre a distribuidora mais cara e a mais barata é de quase R$ 0,25/kWh — o que representa uma diferença de mais de 1 ano no payback para sistemas equivalentes.
Os valores abaixo são a tarifa efetiva residencial (TE + TUSD) com impostos, para consumo acima de 220 kWh/mês, em bandeira verde (sem acréscimos). Os valores foram calculados com base nos reajustes homologados pela ANEEL até março/2026.
| Distribuidora | Estado(s) | Tarifa (R$/kWh) | Ranking |
|---|---|---|---|
| Celesc | SC | 0,95 | 1 |
| CEMIG | MG | 0,93 | 2 |
| Enel SP | SP (capital) | 0,91 | 3 |
| CPFL Paulista | SP (interior) | 0,90 | 4 |
| Light | RJ (capital) | 0,89 | 5 |
| Copel | PR | 0,88 | 6 |
| Enel RJ | RJ | 0,87 | 7 |
| RGE Sul | RS | 0,86 | 8 |
| CEEE | RS | 0,85 | 9 |
| CEB | DF | 0,84 | 10 |
| Elektro | SP/MS | 0,83 | 11 |
| EDP SP | SP | 0,82 | 12 |
| Energisa | MG/MT/MS/TO/PB/SE | 0,82 | 13 |
| Coelba | BA | 0,80 | 14 |
| Neoenergia PE | PE | 0,79 | 15 |
| Equatorial | MA/PA/PI/AL/GO | 0,78 | 16 |
| Cosern | RN | 0,77 | 17 |
| Enel CE | CE | 0,76 | 18 |
| Celpa | PA | 0,75 | 19 |
| Amazonas Energia | AM | 0,73 | 20 |
Observação: Valores aproximados com base nos reajustes homologados pela ANEEL até março/2026. A tarifa exata depende da faixa de consumo, classe (B1 residencial) e bandeira tarifária vigente. Para verificar a tarifa exata da sua distribuidora, acesse www.aneel.gov.br.
Por que as tarifas variam tanto entre distribuidoras?
A diferença de quase R$ 0,25/kWh entre Celesc (SC) e Amazonas Energia (AM) não é acidental — reflete uma série de fatores estruturais e regionais:
Custo de distribuição: Regiões de menor densidade populacional (Norte do Brasil) têm maior custo por km de rede elétrica. A Amazonas Energia atende uma área enorme com poucos consumidores — o custo é alto, mas é subsidiado pelo governo federal para manter a tarifa acessível. O resultado paradoxal é que a região com maior custo de distribuição pode ter tarifa menor que a tarifa de estados mais ricos.
Perdas técnicas e não técnicas: Distribuidoras com alto índice de furto de energia (fraudes) repassam parte desse custo para os consumidores regulares. É um dos fatores que eleva a tarifa em algumas distribuidoras nordestinas.
Mix de geração: Distribuidoras de estados com grande geração própria de energia (hídrica, eólica) tendem a ter acesso a energia mais barata no mercado atacadista, reduzindo a tarifa final.
ICMS estadual: O ICMS sobre energia elétrica varia de 17% (alguns estados) a 27% (outros), e representa 10–15% da tarifa total. Santa Catarina, por exemplo, tem ICMS de 25% sobre energia — um dos maiores do Brasil — o que contribui para a Celesc ter a tarifa mais alta do ranking.
Como a tarifa impacta o payback solar?
A diferença é enorme. Para um sistema idêntico de 5 kWp (R$ 24.000), veja como o payback varia por distribuidora:
| Distribuidora | Tarifa | Economia mensal | Payback |
|---|---|---|---|
| Celesc (SC) | R$ 0,95 | R$ 480 | 4,2 anos |
| CEMIG (MG) | R$ 0,93 | R$ 470 | 4,3 anos |
| Enel SP | R$ 0,91 | R$ 460 | 4,3 anos |
| Light (RJ) | R$ 0,89 | R$ 449 | 4,4 anos |
| Copel (PR) | R$ 0,88 | R$ 444 | 4,5 anos |
| Coelba (BA) | R$ 0,80 | R$ 403 | 5,0 anos |
| Equatorial (MA) | R$ 0,78 | R$ 394 | 5,1 anos |
| Enel CE | R$ 0,76 | R$ 384 | 5,2 anos |
| Amazonas Energia | R$ 0,73 | R$ 369 | 5,4 anos |
Quase 1,2 ano de diferença no payback entre a tarifa mais alta (Celesc, SC) e a mais baixa (Amazonas Energia, AM). Ao longo de 25 anos de vida útil do sistema, essa diferença representa dezenas de milhares de reais a mais ou a menos de economia acumulada.
Cálculo de economia acumulada para o mesmo sistema de 5 kWp:
- Celesc (SC): R$ 480/mês × 12 meses × 25 anos = R$ 144.000
- Amazonas Energia (AM): R$ 369/mês × 12 meses × 25 anos = R$ 110.700
- Diferença: R$ 33.300 de economia a mais em Santa Catarina para o mesmo sistema
Composição da tarifa: o que você está pagando
A tarifa que você paga na conta de luz tem vários componentes, e a energia solar compensa cada um de forma diferente:
| Componente | O que é | % da tarifa | Compensado pela GD? |
|---|---|---|---|
| TE | Tarifa de Energia (geração) | ~45% | Sim (100%) |
| TUSD Fio A | Transmissão | ~10% | Sim (isento) |
| TUSD Fio B | Distribuição | ~25% | Parcial (45% em 2026) |
| Encargos | CDE, PROINFA, etc. | ~10% | Parcial |
| Tributos | ICMS, PIS, COFINS | ~10% | Depende do estado |
A Lei 14.300/2022 estabeleceu que o TUSD Fio B seria gradualmente descontado da compensação de energia solar até 2029. Em 2026, 45% do TUSD Fio B é cobrado sobre a energia compensada — ou seja, você recebe crédito pelo kWh gerado, mas paga uma parte do custo de distribuição.
Isso significa que a tarifa efetiva de compensação é levemente menor que a tarifa total que você pagaria se consumisse da rede. Em Minas Gerais, por exemplo:
- Tarifa total: R$ 0,93/kWh
- Tarifa de compensação efetiva: ~R$ 0,88/kWh (descontando 45% do TUSD Fio B)
Para o cálculo de payback mais preciso, use a tarifa de compensação, não a tarifa total.
Bandeiras tarifárias: o componente variável
As bandeiras tarifárias são um adicional cobrado conforme o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas. São definidas mensalmente pela ANEEL e adicionadas à tarifa base:
- Verde: Sem acréscimo — reservatórios em nível adequado
- Amarela: +R$ 0,018/kWh — situação de atenção
- Vermelha 1: +R$ 0,044/kWh — situação crítica
- Vermelha 2: +R$ 0,078/kWh — situação de emergência
A bandeira vermelha aumenta a economia com energia solar proporcionalmente — se você economiza 600 kWh/mês e a bandeira vermelha 2 está ativa, a economia mensal sobe em 600 × R$ 0,078 = R$ 47/mês. Em anos de crise hídrica prolongada (2021 foi um exemplo severo), a bandeira vermelha pode ficar ativa por 8–10 meses, melhorando significativamente o retorno do solar.
Histórico de reajustes: por que o solar fica mais atrativo com o tempo
Nos últimos 10 anos, a tarifa residencial de energia elétrica subiu em média 8–10% ao ano no Brasil, bem acima da inflação (IPCA médio de ~5%). Isso acontece por fatores estruturais:
- Expansão da rede de transmissão e distribuição para atender novas regiões
- Renovação de contratos de concessão de usinas hidrelétricas com preços maiores
- Crescimento dos encargos setoriais (CDE, subsídios, etc.)
- Aumento da participação de fontes mais caras (eólica, solar, térmica) na matriz
Para o investidor em energia solar, isso é ótima notícia: a economia solar aumenta a cada reajuste. Se você calcula o payback hoje com R$ 0,91/kWh (Enel SP), daqui a 5 anos a tarifa provavelmente estará em R$ 1,20–1,35/kWh. O sistema solar que você instalou continua gerando a mesma quantidade de energia — mas o valor de cada kWh gerado é maior. O payback real é mais curto do que o calculado hoje.
Como verificar sua tarifa exata
A forma mais precisa de saber sua tarifa efetiva:
- Pegue sua última conta de luz
- Some todos os valores cobrados (exceto impostos discriminados separadamente)
- Divida pelo consumo em kWh do mês
Esse valor é sua tarifa efetiva real, com todos os encargos. Use-o nos simuladores de payback solar para obter o resultado mais preciso possível.
Alternativa: acesse o site da sua distribuidora e consulte a “tarifa vigente” para sua classe (B1 residencial). A ANEEL disponibiliza todas as tarifas homologadas em www.aneel.gov.br/tarifas.
Fontes e referências
- ANEEL — Tarifas de Energia Elétrica por Distribuidora — tarifas homologadas e histórico de reajustes por distribuidora
- ABSOLAR — Impacto da Tarifa de Energia na Viabilidade do Solar — análise do mercado de energia solar e relação com as tarifas das distribuidoras
- INPE — Atlas Brasileiro de Energia Solar — dados de irradiação por município para calcular a geração esperada com base na tarifa local