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Seguro para sistema solar em 2028: coberturas e custos atualizados

O mercado de seguros para sistemas fotovoltaicos amadureceu. Veja coberturas, precos e sinistros mais comuns.

Por Redação Editorial CustoSolar

O mercado amadureceu

Em 2025, poucas seguradoras ofereciam cobertura específica para sistemas fotovoltaicos. O produto era tratado como um acessório do seguro residencial comum, com indenizações genéricas e cláusulas mal adaptadas à realidade de um gerador de energia. Em 2028, o cenário é completamente diferente: Porto Seguro, Bradesco Seguros, Allianz, Zurich e Tokio Marine já têm produtos dedicados para energia solar, com coberturas específicas para as particularidades do setor fotovoltaico.

O prêmio anual médio caiu 30% entre 2025 e 2028. O motivo é simples: os dados de sinistro acumulados ao longo desses anos comprovaram que o risco de um sistema solar bem instalado é baixo. A taxa de sinistralidade do segmento ficou em 28% — bem abaixo dos 65-70% observados em outros ramos de seguro patrimonial. Isso forçou as seguradoras a calibrarem os preços para baixo e tornarem o produto mais competitivo.

Hoje, segurar um sistema solar deixou de ser algo opcional e passou a ser recomendação padrão de qualquer instalador sério. O custo é pequeno em relação ao investimento protegido, e a tranquilidade de ter o sistema coberto contra imprevistos justifica amplamente o gasto.

Quais coberturas um bom seguro solar deve ter?

Um seguro fotovoltaico completo precisa contemplar pelo menos quatro modalidades de cobertura. Entender cada uma delas evita surpresas desagradáveis na hora de acionar a apólice.

CoberturaO que incluiPrêmio anual médio
Danos materiaisGranizo, incêndio, queda de árvore, vendaval0,3-0,5% do valor do sistema
Roubo/furtoPainéis, inversores, cabos0,4-0,7%
Lucros cessantesCompensação pela geração perdida durante reparo0,2-0,3%
Responsabilidade civilDanos a terceiros (queda de painel, choque)0,1-0,2%

Danos materiais é a cobertura mais ampla e a mais acionada. Inclui granizo — o vilão número um dos painéis solares no Brasil —, vendaval, incêndio, queda de árvore ou raio. O granizo consegue trincar o vidro frontal dos módulos e causar microfissuras nas células, reduzindo a geração sem destruir o painel visivelmente. Sem seguro, o dono fica com o prejuízo.

Roubo e furto ganhou relevância com o crescimento do mercado de inversores usados. Um inversor de boa qualidade vale R$ 8.000 a R$ 20.000 e é relativamente fácil de transportar. Bairros com muitos sistemas instalados viraram alvo de furtos noturnos. A cobertura de roubo precisa incluir não só os painéis, mas também inversores, cabos CC e caixas de conexão.

Lucros cessantes é a cobertura menos conhecida, mas extremamente valiosa para quem depende financeiramente da geração. Cobre o valor da energia que deixou de ser gerada durante o período de reparo ou reposição dos equipamentos. Para uma usina comercial, uma semana parada pode significar R$ 3.000 a R$ 10.000 de energia não gerada.

Responsabilidade civil protege contra danos a terceiros. Imagine um painel que se solta durante uma tempestade e cai no carro do vizinho ou machuca alguém. Sem RC, o proprietário do sistema arca com todos os custos do dano causado.

Quanto custa na prática?

Para ilustrar com números reais brasileiros, consideremos dois perfis típicos:

Sistema residencial de 5 kWp em Belo Horizonte, valor segurado de R$ 25.000:

  • Cobertura básica (danos materiais + roubo): R$ 175-250/ano
  • Cobertura completa (todas as modalidades): R$ 320-450/ano
  • Prêmio mensal equivalente: R$ 27-38/mês

Sistema comercial de 50 kWp em São Paulo, valor segurado de R$ 180.000:

  • Cobertura básica: R$ 900-1.440/ano
  • Cobertura completa com lucros cessantes: R$ 1.800-2.700/ano
  • Prêmio mensal equivalente: R$ 150-225/mês

Para uma usina commercial que gera economia de R$ 12.000/mês, pagar R$ 200/mês de seguro equivale a menos de 2% da economia gerada. É um custo marginal diante da proteção oferecida.

Por que os sinistros acontecem?

Conhecer os sinistros mais comuns ajuda tanto a escolher a cobertura certa quanto a prevenir problemas com boas práticas de instalação.

  1. Granizo (40% dos sinistros): o vidro frontal dos módulos é testado para suportar granizo de até 25 mm a 83 km/h, conforme norma IEC 61215. Mas granizos maiores ou com ângulo desfavorável causam trincas. Células com microfissuras continuam gerando energia por um tempo, mas degradam mais rápido. O dano só fica evidente meses depois, quando a geração cai.

  2. Surto elétrico por raio (25%): mesmo que o raio caia a centenas de metros, a sobretensão induzida na rede elétrica pode fritar o inversor ou queimar o dispositivo de proteção contra surto (DPS) mal dimensionado. Um DPS de qualidade custa R$ 150-300 e pode evitar a perda de um inversor de R$ 8.000 a R$ 20.000.

  3. Vendaval (15%): estruturas de fixação subdimensionadas ou instaladas por mão de obra sem qualificação são a causa principal. Um painel de 25 kg arrancado pelo vento representa risco de dano material grave e risco à segurança de pessoas.

  4. Roubo (10%): inversores são os itens mais visados por terem alto valor e fácil revenda. Câmeras de monitoramento e alarmes reduzem o risco, mas não eliminam.

  5. Incêndio (5%): conexões mal executadas, terminais oxidados ou cabos CC subdimensionados podem causar aquecimento excessivo e arco elétrico. É um sinistro raro, mas catastrófico — pode destruir não só o sistema solar mas parte da edificação.

Como contratar o seguro correto?

Antes de assinar qualquer apólice, verifique quatro pontos essenciais:

1. Valor de reposição a novo, não valor depreciado. Esta é a cláusula mais importante. Se o painel de 2 anos trincar por granizo, você deve receber o valor suficiente para comprar um painel novo equivalente — não 70% do valor original. Muitas apólices genéricas pagam o valor depreciado e deixam o segurado no prejuízo.

2. Cobertura inclui o inversor. Algumas apólices residenciais colocam o inversor como equipamento eletrônico sujeito a franquia diferenciada ou limite de cobertura. Certifique-se de que o inversor está coberto pelo valor integral.

3. Franquia compatível com o sinistro típico. Uma franquia de R$ 5.000 em um sistema de R$ 25.000 significa que granizo que dang um painel de R$ 600 não será indenizado. Franquias de R$ 500 a R$ 1.500 são mais adequadas para sistemas residenciais.

4. Prazo de reposição coberto. Após um sinistro, pode levar 30 a 90 dias para o equipamento ser substituído. A cobertura de lucros cessantes deve cobrir esse período integralmente.

O que mudou nas apólices em 2028?

As seguradoras passaram a aceitar dados de monitoramento dos aplicativos (FusionSolar, SolarMAN, Solis Cloud) como prova do estado do sistema antes e depois do sinistro. Isso acelerou enormemente o processo de regulação de sinistros. Antes, o perito precisava visitar o local; hoje, com os dados de geração histórica, o perito pode verificar remotamente quando a queda de produção ocorreu e correlacioná-la com o evento climático registrado.

Outra mudança importante: empresas de monitoramento passaram a oferecer serviços integrados de seguro. Ao conectar o inversor ao sistema de monitoramento, o proprietário recebe automaticamente cotações de seguro com prêmio ajustado ao histórico real de geração e ao perfil de risco da região.

Dica prática

Contrate seguro com cláusula de “valor de reposição a novo” — não “valor depreciado”. Se o painel de 2 anos trinca por granizo, você recebe o valor de um painel novo, não 70% do valor original. Essa diferença pode representar centenas de reais por painel sinistrado.

Para sistemas acima de 30 kWp, considere contratar uma corretora especializada em seguros agroindustriais ou de infraestrutura. Esses profissionais conhecem os produtos específicos do setor fotovoltaico e conseguem negociar coberturas e franquias mais adequadas.

Fontes e referências