Irradiacao solar por estado: mapa e tabela HSP do Brasil
Dados de irradiacao solar e Horas de Sol Pleno (HSP) para todos os 27 estados brasileiros. Fonte: Atlas Solarimetrico do INPE.
Irradiação solar no Brasil: por que os dados por estado são fundamentais?
O Brasil é um dos países com maior incidência solar do mundo. Mesmo o estado com menor irradiação média — Santa Catarina, com 4,2 HSP — recebe mais energia solar por dia do que a Alemanha inteira (2,5 a 3,5 HSP), que é líder europeu no setor fotovoltaico.
Mas dentro do Brasil, a variação é enorme: do Piauí (5,8 HSP) ao Amazonas (4,1 HSP), a diferença de irradiação é de 41%. Isso significa que um sistema de 5 kWp no Piauí gera 40% mais energia do que o mesmo sistema instalado no Amazonas. Para calcular o tamanho correto do sistema, o payback real e a economia estimada, você precisa usar o dado correto de irradiação do seu estado — não uma média nacional genérica.
Os dados desta tabela são baseados no Atlas Solarimétrico Brasileiro (INPE/LABSOLAR) e representam a irradiação global horizontal (GHI) média anual, que é o índice padrão para dimensionamento de sistemas fotovoltaicos conectados à rede.
Tabela completa: HSP e irradiação por estado
| Estado | Sigla | HSP médio (h/dia) | Irradiação (kWh/m²/dia) | Geração por kWp (kWh/mês) | Classificação |
|---|---|---|---|---|---|
| Piauí | PI | 5,8 | 5,8 | 139 | Excelente |
| Bahia | BA | 5,7 | 5,7 | 137 | Excelente |
| Ceará | CE | 5,6 | 5,6 | 134 | Excelente |
| Rio Grande do Norte | RN | 5,6 | 5,6 | 134 | Excelente |
| Paraíba | PB | 5,5 | 5,5 | 132 | Excelente |
| Pernambuco | PE | 5,4 | 5,4 | 130 | Excelente |
| Distrito Federal | DF | 5,4 | 5,4 | 130 | Excelente |
| Minas Gerais | MG | 5,3 | 5,3 | 127 | Muito bom |
| Goiás | GO | 5,3 | 5,3 | 127 | Muito bom |
| Alagoas | AL | 5,3 | 5,3 | 127 | Muito bom |
| Sergipe | SE | 5,3 | 5,3 | 127 | Muito bom |
| Tocantins | TO | 5,3 | 5,3 | 127 | Muito bom |
| Mato Grosso | MT | 5,2 | 5,2 | 125 | Muito bom |
| Maranhão | MA | 5,2 | 5,2 | 125 | Muito bom |
| Mato Grosso do Sul | MS | 5,1 | 5,1 | 122 | Muito bom |
| Espírito Santo | ES | 4,9 | 4,9 | 118 | Bom |
| Roraima | RR | 4,9 | 4,9 | 118 | Bom |
| São Paulo | SP | 4,8 | 4,8 | 115 | Bom |
| Pará | PA | 4,8 | 4,8 | 115 | Bom |
| Amapá | AP | 4,8 | 4,8 | 115 | Bom |
| Rio de Janeiro | RJ | 4,7 | 4,7 | 113 | Bom |
| Rondônia | RO | 4,7 | 4,7 | 113 | Bom |
| Paraná | PR | 4,5 | 4,5 | 108 | Bom |
| Amazonas | AM | 4,5 | 4,5 | 108 | Bom |
| Acre | AC | 4,5 | 4,5 | 108 | Bom |
| Rio Grande do Sul | RS | 4,3 | 4,3 | 103 | Moderado |
| Santa Catarina | SC | 4,2 | 4,2 | 101 | Moderado |
Geração calculada com fator de perdas de 80% (eficiência típica de sistemas bem instalados). Fonte: Atlas Solarimétrico Brasileiro — INPE/LABSOLAR.
Como interpretar os dados
O que é HSP (Horas de Sol Pico)?
HSP é a quantidade de horas equivalentes por dia em que a irradiância é de 1.000 W/m². Em outras palavras: representa a energia solar diária total convertida para “horas de sol pleno”. Se a HSP é 5,0, a energia solar diária equivale a 5 horas ininterruptas de sol a plena potência.
Fórmula de geração: Geração diária (kWh) = Potência do sistema (kWp) × HSP × Fator de perdas (0,75 a 0,85)
Exemplo prático em Minas Gerais (HSP 5,3): Sistema de 5 kWp × 5,3 HSP × 0,80 = 21,2 kWh/dia → 636 kWh/mês
Mesmo sistema em Santa Catarina (HSP 4,2): 5 kWp × 4,2 HSP × 0,80 = 16,8 kWh/dia → 504 kWh/mês
Diferença: 132 kWh/mês a menos em SC. Para uma conta de R$ 500/mês com tarifa de R$ 0,85/kWh, isso representa R$ 112 a menos de economia mensal — uma diferença relevante no cálculo de payback.
Variação sazonal: por que o HSP anual não conta a história completa
Os valores da tabela são médias anuais. A variação entre verão e inverno é significativa e precisa ser considerada no dimensionamento:
Nordeste: variação de apenas 10 a 15%. O sol é praticamente constante o ano todo — a estação chuvosa reduz um pouco, mas o HSP de inverno (5,0 a 5,2) ainda é excelente.
Sudeste: variação de 20 a 30%. O verão com mais sol compensa um pouco o inverno mais curto em dias solares. Sistemas no Sudeste têm boa geração durante todo o ano.
Sul: variação de 30 a 40%. Em Florianópolis, o HSP de verão pode chegar a 5,0 e cair para 3,2 no inverno. Sistemas dimensionados pela média anual podem ser insuficientes em junho e julho. Para consumidores que precisam de autossuficiência anual no Sul, o dimensionamento deve usar o HSP dos meses de menor irradiação.
Fatores locais que alteram a irradiação medida no Atlas
O Atlas Solarimétrico fornece dados de irradiação horizontal em campo aberto, sem obstáculos. Na prática, cada instalação tem fatores locais que podem reduzir a irradiação efetiva sobre os painéis:
Altitude: cidades acima de 800 m (Belo Horizonte, Brasília, São Paulo interior) recebem irradiação ligeiramente maior que a média do estado porque a camada de atmosfera é menos espessa.
Nebulosidade local: cidades costeiras têm mais nuvens matinais. A irradiação de Belém (PA) é menor que a média do estado por causa da nebulosidade da Amazônia costeira.
Poluição atmosférica: grandes centros industriais (Grande ABC em SP, Vale do Aço em MG) podem ter redução de 5 a 10% na irradiação direta por causa das partículas em suspensão.
Microclima: fundos de vales encaixados podem receber sol durante menos horas por causa do horizonte elevado pelas montanhas.
Por que estados do Sul têm mais solar instalado por habitante apesar da menor irradiação?
Santa Catarina e Rio Grande do Sul têm irradiação entre as menores do Brasil (4,2 a 4,3 HSP), mas são estados com alta penetração de energia solar por habitante. A explicação é econômica:
Tarifas de energia entre as mais altas do país: Celesc (SC) cobrava R$ 0,95/kWh em 2026; RGE (RS) cobrava R$ 0,88/kWh. Essas tarifas são 10 a 20% acima da média nacional.
A equação é matemática: uma casa no Sul que gera 20% menos energia que no Nordeste ainda economiza mais em reais porque cada kWh economizado vale mais. O payback fica em 5 a 6 anos no Sul — comparável a 4 a 5 anos no Sudeste, com diferença menor do que o esperado pela diferença de irradiação.
Como usar esses dados para dimensionar seu sistema
Método simplificado
- Identifique o HSP do seu estado na tabela
- Calcule o consumo alvo: consumo médio mensal − consumo mínimo da distribuidora
- Aplique a fórmula: Potência (kWp) = Consumo alvo ÷ (HSP × 30 × 0,80)
Exemplos por estado
João Pessoa (PB) — consumo de 400 kWh/mês, HSP 5,5: 400 ÷ (5,5 × 30 × 0,80) = 400 ÷ 132 = 3,03 kWp → sistema de 3 kWp
Curitiba (PR) — mesmo consumo, HSP 4,5: 400 ÷ (4,5 × 30 × 0,80) = 400 ÷ 108 = 3,70 kWp → sistema de 4 kWp
Porto Alegre (RS) — mesmo consumo, HSP 4,3: 400 ÷ (4,3 × 30 × 0,80) = 400 ÷ 103,2 = 3,88 kWp → sistema de 4 a 4,5 kWp
A diferença de 1 a 1,5 kWp entre João Pessoa e Porto Alegre representa R$ 5.000 a R$ 7.500 de investimento adicional para cobrir o mesmo consumo. O conhecimento correto do HSP evita tanto o subdimensionamento (sistema que não cobre a conta) quanto o superdimensionamento (investimento além do necessário gerando créditos que podem expirar).
Região Nordeste: o cinturão solar brasileiro
Bahia, Piauí e Ceará formam o triângulo de maior irradiação do país. O interior do Piauí — especialmente a região de São João do Piauí e Simplício Mendes — registra irradiação acima de 6,0 kWh/m²/dia nos meses de pico, comparável às melhores localizações do planeta para energia solar.
Não por acaso, os maiores parques solares do Brasil estão nessa região:
- Complexo Solar Janaúba (MG/BA): aproveitando o limite entre as duas regiões de alta irradiação
- Parque Solar Nova Olinda (PI): 292 MWp, inaugurado em 2017
- Complexo Solar Bom Nome (PE): 475 MWp
- Projetos de hidrogênio verde no Ceará e RN: aproveitando irradiação alta + ventos para custo mínimo de eletricidade renovável