Solar flutuante no Brasil: como funciona e por que esta crescendo
O FPV (floating photovoltaic) aproveita reservatorios existentes para gerar energia. Veja vantagens, custos e projetos reais no Brasil.
O que e solar flutuante
Solar flutuante — ou FPV, floating photovoltaic — consiste em instalar paineis fotovoltaicos sobre estruturas que boiam em reservatorios, lagos e represas. Os modulos ficam ancorados ao fundo por cabos e a energia e transmitida por cabeamento subaquatico ate inversores na margem.
O Brasil tem mais de 180.000 reservatorios mapeados. A maioria nao tem uso energetico algum. Cobrir 10% desses espelhos d’agua com FPV geraria mais energia que toda a capacidade eolica instalada no pais.
Vantagens tecnicas
A agua resfria os modulos em 5-10°C, aumentando a eficiencia em 5-10%. Em Minas Gerais, testes da Cemig no reservatorio de Sobradinho mediram ganho de 7,2% na geracao anual comparado com modulos identicos em solo a 200 metros da margem.
Alem da geracao, a cobertura reduce a evaporacao em 60-80% na area coberta. Para reservatorios de irrigacao no Semiarido, isso pode significar 500-1.000 m³/ha/ano de agua preservada — agua que faz falta na seca.
Custos em 2028
O custo total instalado de FPV gira em torno de R$ 6.600/kWp — 30% mais caro que solar em solo. A estrutura flutuante (HDPE ou aluminio) responde por R$ 1.500-2.000/kWp desse total. Para projetos acima de 1 MWp, o custo cai para R$ 5.800-6.200/kWp.
Projetos reais no Brasil
A usina de Sobradinho (BA) tem 1 MWp flutuante operando desde 2025. A usina do Batalha (MG) da Cemig atingiu 5 MWp em 2027. O projeto mais ambicioso e o de Tucurui (PA), com 50 MWp previstos para 2029, que vai gerar energia solar de dia e complementar a hidreletrica de noite.
Limitacoes
A principal restricao e ambiental: cobertura acima de 30-40% da lamina pode prejudicar a oxigenacao e a fauna aquatica. A ancoragem em reservatorios com variacao de nivel (hidreletricas) exige projeto mais robusto. E a manutencao precisa de barco — o que eleva o O&M.